Quando uma jovem mulher
irresponsável e imatura (Keira Knightley) recebe um pedido de casamento de seu
namorado, ela entra em crise. A primeira ideia é fingir que precisa fazer um
retiro em busca de auto conhecimento profissional, mas de fato ela se esconde
na casa da sua nova melhor amiga, a adolescente Annika (Chloe Grace Moretz). (trailer)
Faz muito tempo que eu não me
sento para escrever nada que não tenha fins acadêmicos e que nenhum professor
vá validar e criticar a minha argumentação, minha escolha de fontes e minha
forma de desenvolver ideias. Acredito que a quantidade de vezes que eu precisei
sentar e escrever com esses fins, foi o grande motivo que me afastou das
resenhas e do blog e da escrita em geral. Contudo, em um dia incomum, eu
resolvi fazer uma maratona de filmes e é isso que me trouxe aqui de novo.
Quem me conhece sabe que eu não
tenho o costume de assistir filmes, eu não gosto tanto como a maioria das
pessoas. Mas eu resolvi assistir alguns e como eu normalmente gosto dos filmes
que a Keira Knightley aparece, acabei assistindo a comédia romântica Encalhados
(Laggies, 2014)
Eu nunca chego em comédias
românticas com muitas expectativas, sendo uma pessoa que já não gosta muito de
filmes, esse gênero é ainda mais difícil de me agradar. Contudo, algo nesse
filme fez com que eu pela primeira vez em meses abrisse um documento do word e
escrevesse, então vamos direto ao ponto.
O filme vai contar a história de
Megan, uma mulher com graduação e mestrado em terapia de famílias e casais, mas
que acabou se sentindo uma farsa ao trabalhar com pessoas reais ao levar a
teoria para prática. Então Megan se vê nos seus vinte e poucos anos, sem
emprego, em um relacionamento confortável com seu namorado do ensino médio e
com o seu mesmo grupo de amigos da época.
Ela sabe que precisa se encontrar
e buscar uma orientação, mas ela se vê empacada, sem conseguir ver caminhos
possíveis para seguir. Durante o casamento de uma de suas melhores amigas da
época do ensino médio, seu namorado acaba propondo o casamento e é quando ela
entra em pânico e sai no meio da festa para dar uma volta.
É nesse grupo de amigas, que
depois de tanto tempo é ainda tão unido, que Meg tem dificuldades de perceber
que não se sente mais parte. Que não se sente mais pertencente, que ela não
está mais no mesmo ritmo e no mesmo momento de vida dos outros indivíduos.
Depois do pedido de casamento,
Meg decide que precisa tirar uma semana para uma busca de autoconhecimento. Ela
mente para seu noivo que vai ir a um seminário de autoconhecimento, mas na
verdade vai passar a semana na casa de uma menina de 16 anos que conheceu na
noite do casamento da amiga.
Esse é um resumo básico do que
acontece no início do filme e o que nos leva ao meu ponto de discussão e o que
me levou ao dilema: esse filme tinha muito potencial para abordagem as
questões de autoconhecimento, carreira, orientação, crescimento pessoal, mas infelizmente
eu vi tudo isso sendo posto de lado pela necessidade de um romance e de um
"final feliz" (já discutiremos isso).
Esse texto vai ter spoilers.
Aviso.
Megan é uma mulher jovem,
inteligente, que toma esse tempo para si, para buscar o que ela quer, para
tentar se encontrar e para tentar descobrir qual é seu objetivo. Eu vejo isso
sendo uma questão que vai ser presente em uma geração com um nível de
escolarização alto, mas não necessariamente um nível de autoconhecimento
condizente. Megan tinha as ferramentas, ela só não tinha certeza do que fazer
com elas. Todo mundo entra em questionamentos sobre "quem eu sou" e
"o que eu quero" e "será que é isso que eu quero para minha
vida" e algumas pessoas em uma época, outras noutras e umas resolvem
rapidamente, outras não. Não existe certo e errado. É um processo.
Voltando a história: a menina de
16 anos com quem Megan faz amizade e acaba ficando na casa tem um pai e esse
pai acaba se tornando o interesse romântico instantâneo. Esse interesse
romântico foi que eu achei desnecessário para o seguimento do filme. Podia ser
um papel de amizade, podia ser um caso de uma noite. Enfim, Megan trai o noivo
com o pai da Annika e temos um drama que desfocaliza das questões de
crescimento pessoal.
Após a semana que Megan iria
supostamente participar do seminário, ela volta para casa e percebe o que o
espectador já tinha percebido desde o início do filme. Que ela estava – como
ela mesmo coloca, de uma forma muito interessante – arrastando uma camada que
não fazia mais parte de quem ela era. Ela usa a metáfora de ser uma cobra
carregando a pele antiga por muito tempo. Essa camada representaria o namorado
e o grupo de amigas do ensino médio.
O meu ponto não é contra romance.
O meu ponto é com o potencial que esse filme tinha para falar sobre esse
período da vida e sobre essa fase que não é incomum e que eu não chamaria de
irresponsável e imatura como é chamada na sinopse. Tinha um potencial para
mostrar que uma jornada de autoconhecimento de uma mulher não precisa envolver
um relacionamento e que - essa parte eu acho importante enfatizar um pouco: o
final feliz não precisaria ser necessariamente a mocinha ficando com o mocinho.
O final feliz poderia ser a Megan se encontrando em si mesma e se desenvolvendo
como mulher independente, suficiente, emponderada e feliz com sua carreira,
suas escolhas, seu processo de ser, seus objetivos e sua vida. Teria sido tão feliz e completo em si.
O romance pode existir. Só gostaria que não tivesse sido a
conclusão final da jornada de autoconhecimento, amadurecimento e crescimento da
personagem principal. O filme não é ruim, é divertido, mas terminou e eu senti
que precisava compartilhar tudo isso com alguém.
(Uma pequena observação: termino o texto dizendo que eu senti
falta de escrever sem pensar em uma nota e sem pensar em uma avaliação <3)


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